Vendas Varejistas avançam 0,4% em jan/19, ainda impulsionada pelas vendas de alimentos e remédios.

Os dados das vendas varejistas de jan/19, divulgados nesta manhã pelo IBGE, revelou avanço de 0,4% na passagem do mês, de dezembro/18 para janeiro/19, com ajuste sazonal. Na comparação com igual mês do ano anterior, as vendas varejistas cresceram 1,9%. Ainda assim, a variação acumulada em 12 meses arrefeceu ligeiramente, de 2,3% na leitura anterior para 2,2% neste mês.

Com relação ao conceito Varejo Ampliado (que inclui automóveis e material para construção) jan/19, o crescimento foi mais vigoroso do que para o Restrito, avançando 1,0% na margem, e 3,5% ante igual período do ano anterior. Em 12 meses, a variação acumulada do setor situou-se em 4,7%, desacelerando ante os 5,0% registrados no fim de dez/18.

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Na margem, a maioria dos segmentos apresentaram alta, ficando o avanço a cargo de 7 das 8 atividades pesquisadas do varejo restrito, em comparação ao mês anterior. Destaque para a pressão altista exercida pelos ramos de Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (8,2%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (7,2%), Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,6%) e Combustíveis e lubrificantes (0,5%). O único ramo do varejo em retração nesta métrica foi o de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-0,5%).

Na comparação com jan/18, 5 dos 8 setores pesquisados elevaram-se, tendo as principais contribuições sobre o resultado global derivadas de: Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (2,2%), seguido por Outros artigos de uso pessoal e doméstico (6,4%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (7,2%). Em sentido oposto, as principais pressões negativas podem ser creditadas à dinâmica das atividades de Móveis e eletrodomésticos (-2,8%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-27,3%) e Tecidos, vestuário e calçados (-1,2%). Vale dizer, que o desempenho registrado para os Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo representou a 22ª taxa positiva em sequência, tornando este ramo um importante vetor da expansão, ainda que moderada, das vendas varejistas. Semelhantemente, as vendas de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, com o presente resultado, cresceram pela 21ª leitura consecutiva.

No varejo ampliado, na comparação de jan/19 com o mês anterior, expurgados os efeitos sazonais, a alta (1,0%) explica-se, para além do melhor desempenho do varejo restrito, pelo bom desempenho das atividades de Veículos, motos, partes e peças, que cresceram 5,7%, devolvendo o recuo de 3,2% da leitura anterior. Já o setor de Material de construção praticamente repetiu o patamar de vendas de dezembro de 2018 (0,1%). No que se refere à comparação interanual, o comércio varejista ampliado registrou a 21ª taxa positiva, avançando 3,5% em jan/19. Trata-se de uma expressiva aceleração no ritmo de expansão ante os 1,8% obtidos na leitura anterior. Nessa base de comparação o resultado explica-se no contexto do aumento nas vendas de Veículos, motos, partes e peças (8,8%), que ganharam tração ante dez/18 (7,2%); e de Materiais de construção, cuja alta de 2,2% reverte a queda de 0,6% do mês anterior. Vale dizer, que o resultado dos Veículos, motos, partes e peças reitera a recuperação iniciada em mai/17 em uma trajetória ininterrupta de altas.

Veja mais detalhes dos ramos de atividades que compõem o indicador, na tabela abaixo:

Atividades (Var. %)

jan/19 (m/m)

jan/19 (a/a)

Acum. No Ano

12 Meses

Comércio Varejista

0,4

1,9

1,9

2,2

1 - Combustíveis e lubrificantes

0,5

1,4

1,4

-4,5

2 - Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo

0,6

2,2

2,2

3,7

3 - Tecidos, vestuário e calçados

0,1

-1,2

-1,2

-1,6

4 - Móveis e eletrodomésticos

0,4

-2,8

-2,8

-1,9

5 - Artigos farmacêuticos, med., ortop. e de perfumaria

-0,5

7,2

7,2

6,0

6 - Livros, jornais, rev. e papelaria

0,2

-27,3

-27,3

-17,5

7 - Equipamentos e mat. para escritório, informática e comunicação

8,2

1,6

1,6

-0,2

8 - Outros arts. de uso pessoal e doméstico

7,2

6,4

6,4

7,4

Comércio Varejista Ampliado

1,0

3,5

3,5

4,7

9 - Veículos e motos, partes e peças

5,7

8,8

8,8

14,3

10- Material de Construção

0,1

2,2

2,2

3,1

 

Uma vez mais o resultado do mês derivou seus principais impactos dos ramos ligados mais à renda do que ao crédito; ao tracionar sua expansão na alta dos Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo; Outros artigos de uso pessoal e doméstico e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos. Já as vendas de Veículos e motos, partes e peças, relacionada ao crédito, que exerceu importante contribuição no varejo ampliado de 2018, arrefece seu ritmo de expansão. Com efeito, dos 15,1% registrados, nos 12 meses encerrados em nov/18, a variação situou-se, nos 12 meses findados em jan/19, em 14,3%. O mesmo ocorreu para outros dois importantes ramos, cuja dinâmica de vendas depende do crédito: Material de construção (de 4,3% em nov/18 para 3,1%), e Móveis e Eletrodomésticos (de 0,1% em nov/18 para -1,9%).

De toda forma, o varejo segue com relevantes restrições à sua expansão, principalmente a dinâmica lenta e de baixa qualidade na retomada do emprego, e os ainda elevados spreads na concessão de credito. Demais, a fragilidade das ocupações geradas no mercado de trabalho, destacadamente o trabalho informal e por conta própria, dificultam a tomada de novos créditos pelas famílias. A expressão desse processo é o baixo dinamismo dos setores mais dependentes da dinâmica creditícia, como explorado acima. Ainda assim, a despeito do mercado de trabalho, a estabilidade no rendimento das famílias deve gerar alguma expansão dos setores que comercializam produtos básicos, como alimentos e remédios.

Em suma, as condições conjunturais são ambíguas à retomada do consumo, de um lado a inflação situa-se sob controle, com juros mais baixos, favorecendo o grosso do processo de desalavancagem das famílias, o que nos leva a esperar crescimento das vendas varejistas maior. De outro, o mercado de trabalho segue desaquecido, com recuperação de baixa qualidade, e as incertezas locais e internacionais restringem a capacidade de retomada da economia, podendo retardar o crescimento das vendas do varejo.

Por fim, em linha com os dados recentes, mantemos nossa projeção de expansão das vendas varejistas em 3,3% neste ano de 2019.

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