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Destaques do dia – 14/03/2019

  • Surpresa negativa com produção industrial de janeiro reforça percepção de recuperação econômica mais lenta do que o inicialmente esperado
  • Fluxo cambial registrou déficit de US$ 1,187 bilhão entre os dias 6 e 8 deste mês
  • Resultado da produção industrial da China surpreendeu para baixo no primeiro bimestre, mas investimentos aceleraram no período
  • Resultado de janeiro do indicador de encomendas de bens duráveis reforça percepção de fraco crescimento do PIB dos EUA neste trimestre
  • Índice de Preços ao Produtor dos EUA registrou ligeira alta em fevereiro, puxada por preços de energia, mas o seu núcleo desacelerou no período

Surpresa negativa com produção industrial de janeiro reforça percepção de recuperação econômica mais lenta do que o inicialmente esperado

A produção industrial encolheu 0,8% na passagem de dezembro para janeiro, já descontados os efeitos sazonais. O resultado ficou muito abaixo do esperado por nós, de estabilidade, e pelo mercado, cuja mediana das expectativas apontava para uma queda de 0,1%. O recuo reportado mais do que devolveu a alta de 0,2% registrada em dezembro. Nos últimos quatro meses temos observado bastante volatilidade nos dados, ao mesmo tempo em que a média móvel trimestral do indicador continua desacelerando.

A retração em janeiro foi influenciada pelos resultados negativos nas categorias de bens de capital (terceira queda mensal consecutiva), bens intermediários e de bens de consumo semiduráveis e não duráveis. Por outro lado, a categoria de bens de consumo duráveis contribuiu positivamente. Na comparação interanual, houve queda de 2,6% do indicador agregado, o que levou a um crescimento acumulado de 0,5% em doze meses. Assim como a produção industrial, outros indicadores de atividade econômica divulgados neste começo de ano têm sugerido um recuperação mais gradual do que o previsto inicialmente.

Setor Externo

Fluxo cambial registrou déficit de US$ 1,187 bilhão entre os dias 6 e 8 deste mês

O fluxo cambial registrou saldo negativo de US$ 1,187 bilhão entre os dias 6 e 8 deste mês, de acordo com os dados divulgados ontem pelo Banco Central. As contas comercial e financeira caminharam em sentidos opostos, ao registrarem entrada líquida de US$ 767 milhões na primeira e saída de US$ 1,954 bilhão na segunda.

O superávit da conta comercial foi resultado de câmbio contratado para exportações de US$ 2,136 bilhões, superiores ao US$ 1,369 bilhão contratado para importações. Já o saldo negativo da conta financeira foi reflexo de compras de US$ 5,313 bilhões, abaixo das vendas de US$ 7,267 bilhões. Com esse resultado, o saldo cambial acumula superávit de U$ 6,768 bilhões no ano.

Internacional

Resultado da produção industrial da China surpreendeu para baixo no primeiro bimestre, mas investimentos aceleraram no período

O conjunto de dados da atividade chinesa do primeiro bimestre trouxe resultados mistos, com ligeira desaceleração da produção industrial e das vendas do varejo, e avanço dos investimentos em infraestrutura. Segundo o órgão oficial de estatísticas do país, a produção industrial registrou alta interanual de 5,3% no primeiro bimestre, abaixo do crescimento de 5,7% registrado em dezembro e da expectativa do mercado (5,6%). No mesmo sentido, as vendas do varejo subiram 8,2% no período, ante alta de 9,0% em dezembro. Já os investimentos em ativos fixos aceleraram, ao registrarem alta de 6,1%, em relação ao mesmo período do ano passado, com destaque para os setores imobiliário e de infraestrutura. Em suma, acreditamos que esses resultados são compatíveis com nosso cenário de desaceleração moderada da economia chinesa ao longo do ano, refletindo o menor crescimento mundial e os impactos negativos do conflito comercial. Assim, esperamos elevação de 6,0% do PIB neste ano.

Resultado de janeiro do indicador de encomendas de bens duráveis reforça percepção de fraco crescimento do PIB dos EUA neste trimestre

As encomendas de bens duráveis nos EUA registraram alta de 0,4% na passagem de dezembro para janeiro, de acordo com dados divulgados ontem pelo Census Bureau. Mais uma vez, a alta foi inflada pelo forte crescimento nas encomendas de aeronaves civis (15,9%), ao passo que o núcleo do indicador, excluindo os componentes mais voláteis (aeronaves e equipamentos de defesa), registrou recuo na margem, de 0,4%. Sendo assim, o resultado dos indicadores de encomendas de bens duráveis sugere um fraco ritmo de crescimento dos investimentos neste primeiro trimestre. O ritmo mais fraco de expansão dos investimentos e outros dados já divulgados até o momento sugerem um crescimento de 1,2% do PIB neste primeiro trimestre, em termos anualizados e dessazonalizados.

Índice de Preços ao Produtor dos EUA registrou ligeira alta em fevereiro, puxada por preços de energia, mas o seu núcleo desacelerou no período

O Índice de Preços ao Produtor (PPI) dos EUA, divulgado ontem, registrou ligeira alta em fevereiro, de 0,1%, em linha com a expectativa do mercado, devolvendo parte da deflação observada na leitura anterior (-0,1%). A alta do índice refletiu principalmente a aceleração dos preços de energia. Já o núcleo do indicador, que exclui energia e alimentação, desacelerou, de uma alta de 0,3% em janeiro para uma variação de 0,1% no mês passado, abaixo do esperado (0,2%). Na comparação interanual, o PPI registrou crescimento de 1,9%. O menor ritmo de expansão dos núcleos de preços ao produtor e ao consumidor em fevereiro reforça a percepção de redução da pressão sobre a inflação norte-americana no início do ano, corroborando nossa expectativa de manutenção da taxa básica de juros nos próximos meses.

Tendências de Mercado

Nesta manhã, os mercados acionários não apresentam movimento único. Após dados mais fracos da produção industrial chinesa, os principais pregões asiáticos fecharam com resultados mistos. Os índices futuros norte-americanos, por sua vez, operam próximos à estabilidade. Já na Europa, os mercados registram ganhos, em sua maioria, após o parlamento britânico ter descartado a saída do Reino Unido da União Europeia sem acordo, opção que era considerada o pior cenário para a resolução do Brexit.

Com relação ao mercado de câmbio, as incertezas sobre a economia global ganham força no radar dos investidores. A reunião entre os presidentes dos EUA e da China foi adiada para abril por parte de Pequim. Até então, a expectativa era de que sua realização ocorresse ainda neste mês, diminuindo os questionamentos acerca do impasse comercial entre as duas maiores economias do globo. Assim, as principais moedas de países desenvolvidos e emergentes se desvalorizam frente ao dólar. Adicionalmente, merecem destaque as depreciações da libra e do euro merecem destaque. Apesar das notícias positivas sobre o Brexit, a Comissão Europeia avalia que a votação contra a saída sem acordo não é suficiente para clarear a situação.

Já no campo das commodities, os contratos futuros do petróleo seguem tendência de alta, após dados mais fracos de estoques norte-americanos. Além disso, os investidores esperam o relatório da Opep, organização que vem sistematicamente efetuando cortes na produção. No mesmo sentido, o minério de ferro registra ganho, refletindo preocupações acerca da redução de oferta. As agrícolas, entretanto, não apresentam direção única.

No Brasil, os mercados devem reagir ao resultado da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) referente a janeiro, que será divulgada pelo IBGE ainda nesta manhã.

Agenda do dia

Horário

País

Eventos

Previsão
mercado

Previsão
DEPEC

09:00

Brasil

IBGE: Pesquisa Mensal de Comércio (jan)

0,1% (m/m)

0,0% (m/m)

09:00

Brasil

IBGE: Pesquisa Industrial Mensal - Regional (jan)

 

 

09:30

EUA

EUA: Pedidos de auxílio desemprego (semanal)

 

 

-

Japão

Banco Central anunciará decisão de política monetária

-0,10%

-0,10%

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