Sábado, 21 de Julho de 2018

Brasil Macro View - EXAGEROS NO CÂMBIO


 

Tensões de curto prazo estimulam cenários pessimistas e levam a exageros.

 

 

Ajuste no câmbio reflete mudança de visão de mercado. Após um período de estabilidade cambial explicada pela confiança na continuidade da liquidez global e subestimação de riscos domésticos, o câmbio passou a mostrar uma clara tendência de correção a partir do início deste ano. Este movimento reflete menos uma piora de fundamentos e mais uma correção do excesso de otimismo observado em 2017. A partir de abril, no entanto, o movimento se intensificou e pode ter mostrado excessos depois de junho (Figura 1).

 

Exageros são normais nos mercados cambiais. Um movimento tradicional dos mercados cambiais são os exageros nas correções de preço, com o câmbio sendo influenciado por sua própria trajetória. Eventuais excessos são alimentados por movimentos especulativos e, principalmente, desequilíbrios nas condições de oferta e demanda de divisas. Isso porque o aumento da insegurança dos agentes faz com que haja uma contração nos fluxos financeiros e comerciais ao mesmo tempo em que ocorre um aumento por proteção.

 

Tensão deverá prosseguir nos próximos meses. É bastante provável que a persistência das dúvidas fiscais e políticas domésticas potencialize a cautela global em relação aos emergentes, fazendo com que os próximos meses possam ainda apresentar um ambiente de pressão cambial. Em particular, a tensão social no País aumenta a demanda por discursos populistas e torna o quadro eleitoral pouco previsível, fazendo com que os mercados locais passem a considerar o risco de um governo não reformista. Neste caso, os ruídos eleitorais geram um viés contra a moeda.

 

Último trimestre pode mostrar menor pressão cambial. Diante deste quadro, é preciso cautela para não extrapolar a tendência cambial do ano. Como a economia norte-americana pode desacelerar em 2019, os juros norte-americanos de longo prazo já parecem ajustados, permitindo o início de um ciclo de enfraquecimento global do dólar. Ao mesmo tempo, a China pode contribuir para manter os preços de commodities estáveis em termos reais e reforçar o bom desempenho das contas externas no Brasil (Figura 2). Acreditamos, da mesma forma, que o risco político possa se reduzir, permitindo um quadro de menor pressão cambial.

 

Fonte: Banco Votorantim